top of page

Você sabe o que faz a Psicanálise?

  • Foto do escritor: Sophia Eugênia Vieira
    Sophia Eugênia Vieira
  • 3 de mai. de 2021
  • 3 min de leitura

A Psicanálise foi descrita por Freud como um método científico de investigação, um conjunto de conceitos e teorias e um método de tratamento clínico, ou seja, uma maneira de lidar com o sofrimento e com os sintomas que advém dele. No seu exercício clínico, Freud descobriu no interior do homem forças e desejos inconscientes poderosos e opostos que estão em constante conflito entre si. Além de inerentes, as contradições seriam também constitutivas do ser humano como tal, o que questiona o conceito de “indivíduo” (indivisível), e introduz a ideia de “sujeito”. Freud dizia que o objetivo da Psicanálise seria restaurar no sujeito a capacidade de investir em pessoas e ideais, ou seja, “amar e trabalhar”. Com capacidade de amar, ele quis dizer ser capaz de manter relações afetivas qualitativas e viáveis, conhecendo a si mesmo, suas capacidades e limitações, tolerando mais e sentindo mais compaixão para com o outro, deixando de exigir do outro o que ele não pode dar. Quanto ao trabalho, Freud se referiu à capacidade funcional para viver em sociedade de maneira mais harmoniosa aceitando que algumas coisas podem ser mudadas, mas outras não, aceitando melhor a ideia de finitude, assumindo responsabilidades, vivendo com mais paixão. Por assim dizer, o trabalho da Psicanálise possibilita importantes transformações psíquicas no sujeito na medida em que este vai remanejando suas energias, seus investimentos libidinais de acordo com seu sistema de valores. Mas ela não oferece soluções mágicas, aliás, requer coragem e seu percurso por vezes é árduo, um trabalho penoso em direção à verdade, que por fim será libertador. O psicanalista não tem respostas prontas, não elimina sintomas imediatamente, nem sequer promete “cura”. A melhora vem, é fato, mas nem sempre da forma que o paciente esperava. Porque a Psicanálise trabalha na singularidade do sujeito e na verdade até então desconhecida do seu desejo. Além disso, desde o primeiro momento, o psicanalista vai buscar implicar o paciente no seu próprio sofrimento, responsabilizando-o subjetivamente por sua condição. É a partir deste sofrimento que o paciente busca o analista, e é de suma importância que o paciente realmente queira ser ajudado para que uma aliança terapêutica em direção à cura seja possível, pois, uma vez iniciada a análise, entra-se em contato com algo contraditório no paciente, uma força em sua mente que se opõe à mudança e à melhora que foi buscar. À essa força que é regida pelo princípio de inércia, Freud chamou de resistência. A indagação sobre as razões desta resistência e a forma como o paciente vive isso na sua relação com o analista responde sobre a natureza das angústias do sujeito e suas fantasias fundamentais. Será então nessa relação com o analista que o paciente irá transferir sua personalidade e dinâmica psíquica. E, através de seu tato, neutralidade e amor à verdade, o analista por sua vez traduzirá estes conteúdos de forma clara e organizada ao paciente de modo que ele se torne cada vez mais consciente e íntimo de si mesmo. Com maior segurança, intuição e consciência de si e da realidade à sua volta, o paciente será mais capaz de refletir com discernimento seus sentimentos, percepções e valores, tolerar a realidade externa em suas incertezas e imposições, tomando decisões com mais liberdade interna e autonomia de pensamento, em vez de atuar seus impulsos cegamente, podendo usar de criatividade para reinventar-se a si e sua própria vida após ressignificar sua história. Por fim, é importante dizer que para que este processo aconteça e se sustente é imprescindível que o analista tenha, ele mesmo, passado por estas experiências, submetendo-se a alguns bons anos de análise, além de uma séria e profunda formação. Eu acrescentaria também uma certa bagagem de vida, e amor e curiosidade pela diversidade humana.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Tolerar e conviver

Laura ontem: Mãe, do que Deus gosta que a gente faça? Eu: Ah, filha, acho que Deus fica feliz quando vê que a gente está feliz, que...

 
 
 

Comentários


Psicologia Online por Sophia Eugênia Vieira

Contato: (61) 98212-8900

bottom of page