Tornar-se pai
- Sophia Eugênia Vieira

- 17 de ago. de 2020
- 1 min de leitura
A cultura é algo que muda, e que pode e precisa ir sendo pensada.
Assim como o lugar da mulher, o lugar do homem também está em transição, e transcrição. Enquanto a mulher tem requerido e se apropriado de seu lugar no espaço social, o homem também tem conquistado a convivência familiar, o espaço privado e, principalmente, sua própria interioridade psíquica. Tudo isso converge no desempenho da paternidade.
Existe uma característica humana que Winnicott chamou de “Capacidade de se preocupar”, ou de “concernimento”. Um pai que na sua própria infância integrou em si esta capacidade, pode bem desenvolver o desejo de cuidar, a capacidade de empatia e de identificação com seu bebê. Para Winnicott, a capacidade de se preocupar funda a capacidade de brincar, que por sua vez é a base da capacidade para trabalhar na vida adulta.
Assim, a paternidade não é instantânea, e tampouco se inicia após o nascimento do filho.
O percurso de se tornar um pai começa ainda na infância do sujeito.
A parentalidade integra passado, presente e futuro, podendo produzir transformações poderosas, inclusive na própria história infantil dos pais.


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