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Sobre humildade e outras sofisticações

  • Foto do escritor: Sophia Eugênia Vieira
    Sophia Eugênia Vieira
  • 1 de jun. de 2020
  • 2 min de leitura

Atualizado: 1 de ago. de 2020


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Pensando sobre as vantagens de se fazer psicoterapia, concluí que um dos principais ganhos de se fazer uma análise é poder se tornar uma pessoa mais humilde. Talvez soe estranho e até contraditório para alguns, mas um processo de análise nos possibilita alcançar a humildade, que pra mim é uma capacidade, e isso pode ser uma grande vantagem para a vida.

É comum ouvirmos a palavra humildade associada a uma ideia de inferioridade, falta de recursos financeiros e fraqueza, o que seria bastante contraditório ser atribuído ao processo psicoterapêutico (que, por sua vez, deveria ajudar a pessoa a se apropriar de suas forças). Também é comum associarmos humildade à simplicidade, despojamento e desapego, o que nos remete mais a um discurso religioso que terapêutico. Nem um nem outro estão corretos, pelo menos não etimologicamente falando. Humildade vem do latim “humus”, de onde também vem a palavra Homem. Humus designa “terra”, o que me pareceu bem curioso, nada simples e com certo requinte, inclusive.

Pela via religiosa, a palavra terra pode remeter à ideia de humildade como renúncia das coisas “terrenas”; mas me parece mais interessante pensar que ser humilde é ser capaz de manter os “pés no chão”, “em contato com a terra” que aqui representaria a realidade.

Ser humilde então, neste sentido, seria ser realista em relação a si mesmo, e a psicoterapia de fato possibilita isso pois nos ajuda a melhor reconhecer nossas verdades e limitações, sem a ilusão de onipotência que esteriliza nossos sonhos, mas com esperança sensata e postura ativa, baseada nos recursos internos que também vamos descobrindo, reconhecendo e lapidando ao longo de uma análise. A humildade é, assim, uma capacidade que advém de trabalho e desenvolvimento mentais que resultam numa melhor integração dos diferentes aspectos da personalidade.

Ser humilde também seria ser realista em relação à vida, principalmente porque, como a realidade também não é exata nem estável, mas muito complexa, este trabalho mental precisa ser contínuo, e quase nunca é fácil, senão longo e árduo. Assim, viver, relacionar-se, estar consigo mesmo e estar no mundo requerem grande criatividade! E isso novamente nos remete à terra quanto à sua fertilidade e transformação, capacidade de florescer e dar frutos.

Por fim, ser humilde é ser realista em relação aos outros e ao que vem deles, sem super nem subestimar, mas com postura menos auto-centrada e mais aberta para conhecer o outro como ele é. Hoje ouvi de uma amiga que cada pessoa é um mundo, com seu funcionamento, espaço e tempo próprios. Reconhecendo isso, o outro se torna mais interessante.

Assim, na medida em que entro em contato com minhas limitações e minhas vulnerabilidades sou mais capaz de tolerar e aceitar o outro com compreensão e solidariedade, e menos julgamento. Torno-me mais disponível, reconheço alguma necessidade de ajuda, instigo-me a buscar conhecimento, aprendo e cresço.

Em tempos de quarentena, sair de si e passear por mundos alheios (sem sair de casa) parece um convite bastante interessante e sofisticado, não?

 
 
 

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