Os sintomas dos transtornos depressivos podem envolver:
· sentir-se triste, vazio, sem esperança, culpado, inútil ou inapropriado;
· diminuição da energia, prazer ou interesse na maioria das atividades;
· alteração no apetite, no sono, na atividade psicomotora, na capacidade de pensar e tomar decisões;
Em certa medida, a capacidade para se deprimir é uma conquista.
A vontade de recolher-se e apartar-se do mundo temporariamente a fim de organizar os pensamentos e deixar decantar os sentimentos (ainda que este processo não seja tão consciente e deliberado) exige certo grau de amadurecimento e integração da personalidade. É saudável!
Há depressões que são respostas diretas à nossa necessidade de elaborar perdas, há outras que respondem à necessidade de organizar os próprios sentimentos com relação a algo com mais delicadeza e tempo.
Contudo, há depressões em que a desesperança persiste e impede que a pessoa integre em si mesma alguns sentimentos complicados como, por exemplo, a própria destrutividade, a agressão e ambivalência nos relacionamentos. Nesses casos, a culpa se torna intolerável e é reprimida, o que pode fazer com que a pessoa se torne desconfiada e reservada, entrando num sofrimento patológico que prejudica suas relações sociais e de trabalho, além de por em risco sua própria proteção e integridade. São casos em que a ajuda externa se faz necessária: rede de apoio, ajuda psicoterápica e, às vezes, psicofarmacológica.
As depressões são muitas e com variações em suas formas e graus, mantendo alguma constância em sinais e sintomas como baixa autoestima, intolerância a frustrações, alto nível de exigência consigo mesmo, extrema submissão ao julgamento dos outros, sentimento culposo sem causa definida, sentimento de perda do amor e de que há algum desejo inalcançável.
Um certo desequilíbrio neuroquímico é inegável na depressão. Entretanto, atribuir a depressão unicamente às causas biológicas é cair em um perigoso reducionismo que ignora aspectos subjetivos e sociais. As depressões são o resultado de uma estreita relação entre a intersubjetividade, a história infantil (que é reativada na depressão), o corporal, o bioquímico, os valores e a realidade externa (pensemos, por exemplo, na pandemia, na realidade política e social do país no momento). Nenhuma depressão é igual à outra: nem no corpo nem na mente há duas pessoas que sofram igualmente.
Por esse caráter individual, a psicoterapia se apresenta como principal método de tratamento para a depressão. Tornando-nos mas íntimos de nós mesmos, nos tornamos mais livres para sentir, mais maduros para viver, fazer escolhas e assumir responsabilidades. Acolhemos com mais amor nossas fragilidades e vazios. Reconhecemos nosso desejo e necessidade de afetos. Aceitamos mais o outro como ele é, nos protegemos mais dele, o protegemos mais de nós. Aprendemos a cuidar e a nos deixar cuidar. Desenvolvemos intuição, nos conectamos com nossas preferências, nos aliamos ao que nos faz bem, respeitamos ciclos.
Sophia Vieira - Psicóloga Clínica