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  • Sophia Eugênia Vieira
  • 30 de mai. de 2023

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Lidar com sentimentos difíceis é o enfrentamento corajoso e necessário para que flua a continuidade da vida e o amadurecimento da personalidade.

Quando, por algum motivo, esta continuidade é impedida, a terapia se coloca como alternativa para o reencontro com nosso ritmo de desenvolvimento, nossa capacidade de amar e sonhar.

Do contrário estaremos estacionados, à margem de nós mesmos.

  • Sophia Eugênia Vieira
  • 30 de mai. de 2023

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Quando algum filme ou série me tocam de alguma forma, gosto de compartilhar. Adoro quando recebo boas indicações também.

Alguns filmes me trouxeram importantes transformações ao longo da vida, outros grandes turbulências e, outros, de tão intensos (traumáticos?), ainda reverberam em mim, inesgotáveis em seus sentidos.


“A garota ideal” (Lars and the real girl, 2007) é um filme surpreendentemente delicado e comovente. Pude vê-lo ontem mesmo e, por isso, ainda está fresquinho na mente e quentinho no coração.


Lars, interpretado por Ryan Gosling, é um homem solitário e introvertido com um importante sofrimento emocional e na sociabilidade.

O filme é uma comédia dramática onde Lars desenvolve um relacionamento romântico com uma boneca realista.

Apesar da parte cômica, o filme gera profundas reflexões sobre empatia, idiossincrasias - ou a expressão da diversidade humana, a complexidade e as excentricidades de cada um, e, principalmente, sobre o poder de cura de uma comunidade.


Hoje, 18 de maio, é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial dedicada à defesa dos direitos das pessoas com sofrimento mental. Essa luta busca combater a ideia de isolamento como forma de tratamento, que é baseada em preconceitos acerca da doença mental. O movimento ressalta que essas pessoas têm direito à liberdade, à inclusão na sociedade e a receber cuidados e tratamentos, sem perderem sua condição de cidadãos.


Numa feliz coincidência o filme me fez refletir sobre a força da inclusão para toda uma sociedade.

Lars perdeu a mãe no parto e foi criado por um pai deprimido. O contato físico era evitado porque lhe causava angústia e dor, o que era amenizado pelo uso de camadas e camadas de roupas. Bianca, a boneca, foi a linguagem particular e o caminho criativo, ainda que delirante, criado por Lars para elaborar os medos que tinha, os lutos que não havia feito e os afetos que não era capaz de expressar. Além de ter sido o caminho para outras revelações, tocando e transformando demais membros da comunidade.


  • Sophia Eugênia Vieira
  • 24 de nov. de 2022

Os sintomas dos transtornos depressivos podem envolver:

· sentir-se triste, vazio, sem esperança, culpado, inútil ou inapropriado;

· diminuição da energia, prazer ou interesse na maioria das atividades;

· alteração no apetite, no sono, na atividade psicomotora, na capacidade de pensar e tomar decisões;

· pensamentos de morte.



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Em certa medida, a capacidade para se deprimir é uma conquista.

A vontade de recolher-se e apartar-se do mundo temporariamente a fim de organizar os pensamentos e deixar decantar os sentimentos (ainda que este processo não seja tão consciente e deliberado) exige certo grau de amadurecimento e integração da personalidade. É saudável!


Há depressões que são respostas diretas à nossa necessidade de elaborar perdas, há outras que respondem à necessidade de organizar os próprios sentimentos com relação a algo com mais delicadeza e tempo.


Contudo, há depressões em que a desesperança persiste e impede que a pessoa integre em si mesma alguns sentimentos complicados como, por exemplo, a própria destrutividade, a agressão e ambivalência nos relacionamentos. Nesses casos, a culpa se torna intolerável e é reprimida, o que pode fazer com que a pessoa se torne desconfiada e reservada, entrando num sofrimento patológico que prejudica suas relações sociais e de trabalho, além de por em risco sua própria proteção e integridade. São casos em que a ajuda externa se faz necessária: rede de apoio, ajuda psicoterápica e, às vezes, psicofarmacológica.


As depressões são muitas e com variações em suas formas e graus, mantendo alguma constância em sinais e sintomas como baixa autoestima, intolerância a frustrações, alto nível de exigência consigo mesmo, extrema submissão ao julgamento dos outros, sentimento culposo sem causa definida, sentimento de perda do amor e de que há algum desejo inalcançável.


Um certo desequilíbrio neuroquímico é inegável na depressão. Entretanto, atribuir a depressão unicamente às causas biológicas é cair em um perigoso reducionismo que ignora aspectos subjetivos e sociais. As depressões são o resultado de uma estreita relação entre a intersubjetividade, a história infantil (que é reativada na depressão), o corporal, o bioquímico, os valores e a realidade externa (pensemos, por exemplo, na pandemia, na realidade política e social do país no momento). Nenhuma depressão é igual à outra: nem no corpo nem na mente há duas pessoas que sofram igualmente.


Por esse caráter individual, a psicoterapia se apresenta como principal método de tratamento para a depressão. Tornando-nos mas íntimos de nós mesmos, nos tornamos mais livres para sentir, mais maduros para viver, fazer escolhas e assumir responsabilidades. Acolhemos com mais amor nossas fragilidades e vazios. Reconhecemos nosso desejo e necessidade de afetos. Aceitamos mais o outro como ele é, nos protegemos mais dele, o protegemos mais de nós. Aprendemos a cuidar e a nos deixar cuidar. Desenvolvemos intuição, nos conectamos com nossas preferências, nos aliamos ao que nos faz bem, respeitamos ciclos.


Sophia Vieira - Psicóloga Clínica

CRP 06/110685

(61) 99148-8582

Psicologia Online por Sophia Eugênia Vieira

Contato: (61) 98212-8900

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