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  • Sophia Eugênia Vieira
  • 1 de jun. de 2020

Atualizado: 1 de ago. de 2020

PSICOTERAPIA é o método de tratamento realizado pelo psicólogo clínico, com o objetivo de reduzir ou remover um problema, queixa ou transtorno de um paciente que deliberadamente busca ajuda. A psicoterapia traz à pessoa, ao longo do tempo de trabalho, uma maior possibilidade de reflexão e de consciência em relação a si e a sua própria vida. Suas escolhas passam a ser feitas de forma mais consciente e refletida e ela passa a adquirir uma maior capacidade de se autoperceber, podendo refletir sobre seus próprios sentimentos e percepções. A psicoterapia auxilia o paciente a encontrar recursos em si mesmo para dar conta da realidade e suas angústias, podendo viver de forma mais livre e criativa.

No início chamada de cura pela fala, teve suas origens na medicina antiga, na religião, na cura pela fé e no hipnotismo. Ao final do século XIX passou a ser utilizada no tratamento das "doenças nervosas e mentais", tornando-se uma atividade médica inicialmente restrita aos psiquiatras. Durante o século XX, outros profissionais passaram a exercer a psicoterapia: psicólogos, médicos clínicos, enfermeiros, assistentes sociais, entre outros, ultrapassando a fronteira do "modelo médico". Muitas escolas com diferentes modelos e métodos surgiram, especialmente no pós-guerra, organizando-se e promovendo congressos, cursos de formação, estabelecendo regras para a prática. A partir da década de 60, pesquisas de grande porte foram realizadas, como o Projeto Menninger e outros, com a finalidade de comprovar a efetividade das diferentes modalidades de terapia. Hoje existem mais de 10 mil livros e milhares de artigos científicos relatando pesquisas realizadas com o objetivo de compreender a natureza do processo da psicoterapia e seus mecanismos de mudança. ¹

O que norteia a prática do psicólogo clínico durante a psicoterapia é o objetivo de ajudar as pessoas a conviver melhor com seus conflitos e dificuldades, além de auxiliá-las a se conhecer melhor, refletindo sobre suas próprias escolhas e tomadas de decisões.

Sigmund Freud descobriu que o interior do homem é habitado por uma série de sentimentos e de desejos que ele e sua consciência desconhecem por completo. Estes sentimentos, desejos e fantasias desconhecidos do próprio homem permanecem no que ele chamou de "mente inconsciente" e só podem ser acessados por meio dos sonhos e da análise dos sintomas. Quando uma pessoa chega ao consultório de um psicólogo queixando-se de um sintoma ou lhe fazendo uma queixa, na verdade, ela não sabe realmente o que se passa com ela, e só tem acesso à ponta do iceberg, que é o que ela sente, mas o poderoso jogo entre forças repressoras e o conteúdo reprimido não pode ser acessado, porque tudo isso permanece em seu inconsciente. ²

E é exatamente aí que poderá atuar o psicólogo, este profissional habilitado a transformar a linguagem do inconsciente em algo consciente para o sujeito. Com este trabalho, a pessoa vai podendo ampliar sua consciência sobre si mesma e conquistar um sentido de vida mais autêntico e criativo. ²


Texto inspirado em:

¹Cordioli, A.V e colaboradores. Psicoterapias, abordagens atuais. Artmed. 2012.

²Martinez, A.L. O divã no dia a dia: crônicas do cotidiano sob o olhar da psicanálise. Ield, 2013

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Auto-retrato, 1889: Vincent van Gogh, Bartholomeus van der Helst.

  • Sophia Eugênia Vieira
  • 1 de jun. de 2020

Atualizado: 1 de ago. de 2020

No consultório o encontro entre um paciente e seu terapeuta é um encontro entre um tempo que passa e um que não passa. De um lado existe o tempo do relógio e da consciência, e do outro o tempo do inconsciente.


Nosso inconsciente é atemporal e funciona sob um processo que ignora a passagem do tempo. Nele atualizamos, revivemos e ressignificamos experiências passadas, regredimos, fazemos projeções, introjeções.


Há quem diga que a Psicanálise supervaloriza o passado, mas em uma análise o que de fato ocorreu na história do paciente pouco importa. Mais importa aquilo que, tendo ocorrido ou não no passado, não para de reocorrer no presente. Este é um tempo que não passa, porque busca e não encontra representação.


São conteúdos que se repetem e fazem do passado um destino. Eles aparecem quando a pessoa se queixa da repetição do mesmo mal, como as que se sentem destinadas a amar parceiros errados, a fracassar nos negócios ou a receber reincidentes “rasteiras” da vida.


No texto “Lembranças Encobridoras” Freud nos faz compreender que as lembranças não são só rememoradas do passado para o presente, como uma flecha atirada, em um único sentido. Em verdade, as lembranças podem exercer múltiplos movimentos na medida em que vivências (e pensamentos e fantasias) posteriores retranscrevem e ressignificam lembranças do passado intensificando, transformando ou deformando-as, como que recriando o passado através de novas articulações mentais.


Por tudo isso é difícil determinar o tempo de uma análise, que é muito subjetivo. Há uma fábula do caminhante em que ele pergunta ao sábio quanto tempo demoraria sua jornada e obtém como resposta “Caminhante, caminhe!”, pois observando a largura de seus passos poderia então calcular o tempo.


O processo analítico se orienta pelo ritmo de cada um, que pode se acelerar em alguns momentos e ser mais lento em outros. Cada pessoa é única e singular, e tem uma maneira própria de lidar com seus pensamentos e emoções. Assim, quase sempre a análise exige um tempo longo de tratamento por lidar com questões delicadas e complexas que envolvem padrões de comportamento estabelecidos ao longo de toda uma vida.

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Imagem: A persistência da memória, 1931: Salvador Dalí

  • Sophia Eugênia Vieira
  • 1 de jun. de 2020

Atualizado: 1 de ago. de 2020

A etimologia da palavra solidão se refere ao elemento "só" que vem do latim solus e pode significar tanto "solitário" como "único". Há, portanto, dois tipos de solidão:

Existe a solidão que gera angústia, desamparo, que aterroriza e representa perda e vivências de desintegração que estão ligadas a ansiedades paranoides. E existe um segundo tipo de solidão em que sentimos que estamos de posse de nossa própria companhia e podemos usar de criatividade para lidar com a experiência de se estar só. Neste caso usamos de uma ansiedade integradora e produtiva que nos capacita a crescer.

O que diferencia uma da outra são as capacidades emocionais do indivíduo que são adquiridas quando ainda bebê e seguem se desenvolvendo durante a vida. Essas capacidades estão relacionadas à aceitação de que somos essencialmente sós e ao mesmo tempo dependentes, e precisamos do outro para amar, compartilhar e desenvolver. Os dois tipos causam sofrimento, mas somente o segundo faz crescer.

A capacidade de estar só é um indicativo de maturidade mental. Esta capacidade se diferencia do medo ou do desejo de se estar só e se refere principalmente à capacidade de estar só na presença do outro.

O sentimento de solidão, portanto, independe da ausência ou não de companhia, e é insuperável. Podemos sentirmo-nos sós mesmo na presença de amigos ou recebendo amor. E isso se dá devido a um anseio primordial e permanente de nos comunicar e nos integrar a outro ser humano afetivamente importante. Considerando-se que esta comunicação e integração absolutas são impossíveis, certo nível de solidão é inerente ao ser humano.

A capacidade de estar só também está relacionada não somente ao anseio de nos integrarmos aos outros, mas também a nós mesmos. Aceitando e integrando nossos aspectos internos temidos e rejeitados, deixamos de projetá-los nos outros e senti-los como uma ameaça externa. Quando a solidão se apresenta de forma paranoide e desintegrada, atribuímos estes aspectos (nossos próprios aspectos rejeitados) ao outro, que passa a ser ameaçador, o que reforça o isolamento.

Se conseguirmos conter o ódio, a inveja, a dor e o desamparo de sermos sós e dependentes, aceitaremos nossa necessidade do outro para crescer e então poderemos viver e aprender com esta experiência.

Ambos os tipos de solidão geram alguma dor: a solidão paranoide gera um sofrimento infértil, mas a solidão criativa gera a dor da aceitação de si que nos abre para a vida, o amor e o crescimento.

Texto inspirado em:

Klein, M. O sentimento de solidão. Imago, 1971.Winnicott, D.W. O ambiente e os processos de maturação. Artmed, 1998.Martinez, A.L. O divã no dia a dia: crônicas do cotidiano sob o olhar da psicanálise. Ield, 2013.

Zimerman, D.E. Bion, da teoria à prática. Artmed, 2004.


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Imagem: Morning sun, Edward Hopper, 1952

Psicologia Online por Sophia Eugênia Vieira

Contato: (61) 98212-8900

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