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  • Sophia Eugênia Vieira
  • 17 de ago. de 2020

A cultura é algo que muda, e que pode e precisa ir sendo pensada.

Assim como o lugar da mulher, o lugar do homem também está em transição, e transcrição. Enquanto a mulher tem requerido e se apropriado de seu lugar no espaço social, o homem também tem conquistado a convivência familiar, o espaço privado e, principalmente, sua própria interioridade psíquica. Tudo isso converge no desempenho da paternidade.


Existe uma característica humana que Winnicott chamou de “Capacidade de se preocupar”, ou de “concernimento”. Um pai que na sua própria infância integrou em si esta capacidade, pode bem desenvolver o desejo de cuidar, a capacidade de empatia e de identificação com seu bebê. Para Winnicott, a capacidade de se preocupar funda a capacidade de brincar, que por sua vez é a base da capacidade para trabalhar na vida adulta.


Assim, a paternidade não é instantânea, e tampouco se inicia após o nascimento do filho.

O percurso de se tornar um pai começa ainda na infância do sujeito.

A parentalidade integra passado, presente e futuro, podendo produzir transformações poderosas, inclusive na própria história infantil dos pais.

  • Sophia Eugênia Vieira
  • 2 de ago. de 2020

Desde que minhas filhas nasceram, consegui conciliar maternidade e trabalho porque elas sempre tiveram a escolinha. Aqui no Chile elas até iniciaram na escola, mas foram interrompidas pela quarentena. Claro que cada caso é um caso, cada casa é uma casa, mas com o isolamento foi preciso um esforço maior pra separar as coisas. Para além dos desafios concretos e objetivos, é comum nesses casos haver uma culpa que se avizinha. Se isso também acontece com você, talvez minhas próprias reflexões a ajudem. Tenho clareado em mim cada vez mais o quão saudável é para uma criança ter uma mãe feliz e realizada com alguma atividade que não a envolva, tendo vida fora da maternidade. Não estou falando dos imediatos primeiros meses da criança, mas de um processo que precisa se iniciar em algum momento, não só porque a mãe "precisa" trabalhar (ou exercer qualquer outra atividade), mas também (e principalmente) porque ela deseja e encontra prazer nisso. Deste modo, a criança cresce sabendo que também tem o direiro de buscar o que a faz feliz, e a mãe pode estar mais inteira quando na companhia da criança. As crianças intuem a verdade... elas sabem quando estamos entediadas, cansadas, infelizes, e podem se sentir responsáveis por isso sentindo-se um fardo. Assim, de forma natural, é importante exercitar a verdade consigo mesma e com seu filho. Podem ser prazerosos os momentos com ele, mas também há prazer em outras atividades que não o incluem. Além disso, as crianças são os seres mais resilientes que existem, e têm uma grande capacidade de plasticidade na sua vida emocional.

Neste momento de quarentena, em que estamos redimensionando nossos espaços e rotina, faz-se importante ter algum momento sozinhas, de conexão consigo pra organizar os pensamentos e conectar-se com nossos próprios desejos ante a nova realidade. Também é o momento de recorrer a todo tipo de ajuda possível. Saiba que o tédio pode ser uma experiência incrivelmente produtiva e criativa pra criança, e que também é necessário para seu crescimento. Seu filho também pode e deve ter um tempo só pra ele.

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  • Sophia Eugênia Vieira
  • 2 de ago. de 2020

O amor é humano. O mais nobre dos sintomas, segundo Lacan. Não é genuíno ou natural, por isso humano! E anda ao lado do ódio. Se há amor, há ódio: ser humano é ser contraditório. Por isso Freud dizia que basicamente a análise ajudaria o paciente a amar e trabalhar... sabendo de si a pessoa entraria em contato com suas contradições, reconheceria e daria melhor contorno ao ódio, e poderia viver mais livre e intensamente o amor. Amor é esse encontro louco e improvável de dois sintomas que se encaixam. Se você encontrar um assim, agarre e não deixe ir... cuide! Cuidem- se!

Psicologia Online por Sophia Eugênia Vieira

Contato: (61) 98212-8900

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